Principal História de Carnaxide
História de Carnaxide

As provas documentais da existência desta localidade só começaram a surgir no século XIV, contudo vários vestígios confirmam que pelo menos desde o século XII, Carnaxide já tinha habitantes.

Carnaxide fez parte do Reguengo de Algés, que se estendia da ribeira de Alcântara ao reguengo de Oeiras, e mais tarde passou a pertencer à freguesia dos Mártires.

A conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques aos Mouros em 1147 vem originar a criação da freguesia eclesiástica de Carnaxide. Foi a primeira freguesia dos subúrbios da capital a ser criada e a terceira de Portugal, a seguir às freguesias da Sé e dos Mártires.

Carnaxide era local de passeio de alguns nobres e poetas, nomeadamente do rei D. Pedro V, Almeida Garrett, Tomás Ribeiro, Camilo Castelo Branco, entre outros. Uma descrição de Carnaxide naquela época era: “aprazível e de bons ares e muito abundante de excelentes águas ".

A igreja paroquial, denominada por Ermida de Santa Catarina de Ribamar (entre Cruz-Quebrada e o Dafundo), reforçou a tradição religiosa em Carnaxide. Em 1382, a população ergueu uma Ermida Paroquial em Carnaxide (pequena igreja ou capela em lugar ermo) cujo Orago passa a ser São Romão, festejado a 23 de Outubro, dando-se assim a transferência para Carnaxide da sede da Freguesia.

São Romão é o escolhido para padroeiro. Carnaxide de pastoril torna-se essencialmente agrícola, e portanto havia de ser venerado um santo protector dos lavradores, como é o caso do Bispo de Ruão, que segundo reza a história havia livrado os povos de Arcebispado de uma devastadora inundação do Loire, e ainda era invocado como dador de boas searas e preservador dos animais danados.

Três séculos depois, a necessidade de uma reparação urgente quer do interior como do exterior, motivou a população residente a fazer economias e a angariar fundos junto dos visitantes. Deste esforço resultou a soma suficiente para que no ano de 1662 esta ermida vira a ser totalmente reconstruída. Não restam porém quaisquer vestígios nos dias de hoje da ermida antiga, uma vez que esta fora completamente soterrada por baixo da nova.

Ainda hoje podemos visitar a Igreja de São Romão, que ainda se apresenta como um dos mais belos e importantes monumentos sacros do concelho de Oeiras.

O aglomerado rural de Carnaxide foi crescendo em redor da igreja de São Romão. Casas de um ou dois pisos, com pátios e respectivas dependências destinadas as alfaias agrícolas, caracterizavam as habitações da época. Hoje toda esta zona é conhecida pela zona histórica ou zona velha de Carnaxide, que é de reduzida dimensão.

Carnaxide fora desde há 70 milhões de anos dotada de terras com água de qualidade, fruto de um vulcão que entrou em erupção nesta zona. Era da serra de Carnaxide que partia um braço de água para o Aqueduto de Caneças, para dar de beber à capital. Como retribuição desta generosidade, D. José I, mandou construir um Aqueduto só para Carnaxide!

As necessidades de água da povoação que se fizeram sentir após o terramoto de 1755, acentuadas pela anterior obra do aqueduto das Águas Livres que resistiu incólume ao mesmo, conceberam um carácter urgente não só à concepção da construção de um Aqueduto, como também de um chafariz, 2 pontes, e à recuperação dos danos causados.

Em 1766 é inaugurado o aqueduto, e o chafariz no centro da vila para fazer chegar a água pura e fresca da serra à povoação. Do aqueduto, apenas sobressaem à superfície as 3 clarabóias, visíveis ao cimo da serra, pela Estrada de Alfragide para Carnaxide.

Quem quiser ir ver o Chafariz, que se dirija à Rua 5 de Outubro, junto à igreja de S. Romão, pode comprovar o brasão real esculpido na sua fachada, por cima de uma inscrição em latim que diz: “O rei D. José o mandou fazer em 1766 incluído nas suas obras de reconstrução após o terramoto.”. Para além de servir a população local, este chafariz servia também o Chafariz da Buraca, na vizinha Amadora. Mas não se espante se chegar ao local, e se deparar com um outro chafariz: por de trás deste, um outro encontrará revestido a azulejos datados de 1952 e com uma bica, este é o Chafariz Municipal.

A evolução para os serviços de água municipalizados, aliada ao facto de esta água ter sido considerada "imprópria para consumo", descontinuou o funcionamento desta obra pombalina. Por deliberação da Câmara de Oeiras a 30 de Outubro de 1991, o Aqueduto de Carnaxide, foi considerado “Monumento de Valor Local”, posteriormente, em Maio de 1998, é elevado a “Monumento Nacional”.

Para visitarmos este Monumento, a entrada faz-se por uma porta no Largo da Igreja, no centro da vila, onde se pode ler a inscrição: “C.M.O. 1883”. Lá dentro, um túnel com 2 metros de altura por um de largura, percorrem os 700 metros de extensão com respiradores de 200 em 200 metros.

Uma singela imagem de Maria, moldada a barro, com não mais de 15 cm, foi descoberta no Jamor em 1822. Reza a história que a 28 de Maio desse mesmo ano, um grupo de 7 rapazes brincava na margem direita do rio, quando acidentalmente descobrem uma gruta subterrânea com uma espécie de altar, onde estava a imagem de Nossa Senhora. Tratava-se de uma gruta funerária, onde estavam depositadas ossadas humanas.

Este acontecimento veio marcar profundamente a história da região.

A ideia da criação de um local de culto religioso foi reforçada com este achado, mas só dez anos mais tarde é construída a Capela de Nossa Senhora da Rocha. Este santuário é construído por cima da suposta gruta funerária, mas a imagem da Nossa Senhora nem sempre pode ser vista neste local. Na verdade, esta imagem fora alvo de alguma agitação e disputa.

Na noite do mesmo dia em que a imagem fora descoberta, a figura desaparece misteriosamente, e não se sabe se por força da ameaça de punição severa para o autor de tamanho sacrilégio, uns dias depois, a 4 de Junho, a imagem é encontrada num tronco de uma árvore nas imediações.

Se por um lado, a imagem desta Nossa Senhora “Aparecida” era um símbolo de esperança numa época em que o país atravessava um período conturbado (estávamos em pleno processo de independência do Brasil, e a mediação dos liberais e dos conservadores, trazido pelo regresso de D. João VI), por outro, a séria disputa da imagem entre os habitantes de Carnaxide e de Linda-a-Pastora, conduziu à intervenção resolutiva de D. João VI. Através da portaria de 27 de Julho de 1822, a imagem é transferida para o Altar da Sé Catedral de Lisboa a 5 de Agosto do mesmo ano, uma forma de castigo por não ter havido entendimento entre os povos. Aí permaneceu ao longo de 61 anos.

As influências do poeta Tomás Ribeiro, um apaixonado por Carnaxide e residente na Casa Branca (que ainda hoje existe), levam o governador a aceitar a transferência da imagem para a Igreja de São Romão, facto que até agradou o povo de Linda-a-Pastora, por se encontrar assim mais próximo da venerada imagem. Contudo, 71 anos depois de ter sido transferida, ela regressa à sua primeira morada, a 28 de Maio de 1893, com toda a pompa e circunstância, onde permanece até hoje, exposta num altar lateral.

Milhares de peregrinos são ainda hoje atraídos para a tradicional e popular romaria que se realiza anualmente ao mês de Maio junto a esta ermida, para venerar a imagem desta Virgem de dimensões reduzidas, mas inspiradora de uma imensidão de fé, contribuindo assim para perpetuar o espírito alegre e festivo da população residente.

A atribulação da grande Lisboa que já se fazia sentir no século XIX, despoletou a necessidade de recuperação de energias para algumas famílias abastadas, que procuravam adquirir casas de descanso nas zonas periféricas da capital.

Carnaxide era vista como “uma população aprazível e de bons ares” e visitada por D. Pedro V e a família real, pelos poetas Almeida Garrett, Tomás Ribeiro, Camilo Castelo Branco, entre outros, pela busca de ar puro, arvoredo, do tom verde e do aspecto viçoso dos campos ladeados de montes e vales, e das águas límpidas do rio Jamor. Razões mais do que suficientes para que a escolha das casas de veraneio de algumas famílias abastadas, tivesse recaído sobre as povoações de Carnaxide.

Ainda hoje, na Vila de Carnaxide se mantém algumas destas casas, tornara-se muitas delas habitações permanentes. Destacam-se as seguintes mansões:

- Casa Branca;

- Quinta do Morval;

- Casa da Igreja, a actual "Casa de Saúde de Carnaxide";

- Quinta dos Grilos

- Quinta da Fonte

 

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